O cume da tolerância é mais rapidamente alcançado por aqueles que não andam carregados de convicções. Alexander Chase
A
tolerância é uma virtude rara e importante. Tem os seus limites. John Stuart Mill. Na sua obra fulcral Sobre a Liberdade,
escreveu: “A humanidade terá muito a ganhar deixando que cada um viva
como lhe parece bem, e não forçando cada um a viver como parece bem aos
restantes”.
Esta observação tem várias implicações importantes.
Define uma pessoa intolerante como alguém que deseja que os outros vivam
como ela pensa que eles deveriam viver e que procura impor-lhes as suas
próprias práticas e convicções. Diz que a comunidade humana se
beneficia ao permitir o florescimento de vários estilos de vida, pois
estes representam experiências com as quais muito se poderá aprender
sobre como lidar com a condição humana. E reitera a premissa de que
ninguém tem o direito de dizer a outro como ser ou agir, desde que esse
ser e esse agir não prejudiquem terceiros. Estes são os princípios do
liberalismo, palavra maldita entre os que pensam que, se não se mantiver
um controle rígido sobre os pensamentos e os instintos humanos, a Terra
abrir-se-á e dela brotarão demônios.
Á questão “Deverá o tolerante
tolerar o intolerante?”, deverá ser dado em resposta um retumbante
“Não”. A tolerância tem de se proteger a si própria. Pode fazê-lo
facilmente, dizendo que todos podem expor um ponto de vista mas ninguém
pode forçar os outros a aceitá-lo. A única coerção deve ser a da
argumentação; a única obrigação, o raciocínio honesto. Helen Keller
disse que “o resultado mais elevado da educação é a tolerância”, e
estava certa: pode confiar-se em que, na maioria dos casos, o raciocínio
imparcial de um espírito informado favorecerá o bem e a verdade.
A
intolerância é um fenômeno psicologicamente interessante porque é
sintomático de insegurança e medo. O medo gera a intolerância e a intolerância
gera o medo: o ciclo é vicioso.
Mas a tolerância e o seu oposto
não são apenas formas, nem sequer sempre, de aceitação e rejeição,
respectivamente. É possível tolerar uma crença ou uma prática sem a
aceitar. O que subjaz à tolerância é o reconhecimento de que o mundo é
suficientemente vasto para permitir a coexistência de alternativas, e se
nos sentimos ofendidos pelo que os outros fazem é porque já nos
deixamos envolver demasiado. Toleramos melhor os outros quando sabemos
como tolerar-nos a nós mesmos; aprender a fazê-lo constitui um objetivo
da vida civilizada.

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